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27 março 2011

EDUCAÇÃO ANDRAGÓGICA E A INSTRUÇÃO OPERACIONAL NA POLÍCIA BRASILEIRA


Publicado em por flecha

A instrução policial, em especial a aplicação da doutrina “tático operacional”, constitui-se num dos instrumentos de vital importância para o exercício da profissão. Para adquirir capacitação, confiança e segurança em sua atuação necessário que o profissional de Segurança Pública haja pro-ativamente, se preparando, técnica e psicologicamente, pois, pode se envolver tanto em ocorrências cotidianamente consideradas comuns, quanto em situações de extrema necessidade, ao passo que a instituição, e a sociedade esperam a tomada de decisão equilibrada e uma ação eficiente.
Partindo desta visão, o Major FLECHA vem propondo uma nova modalidade de treinamento, utilizando-se de certos fundamentos de andragogia, embasado nos conceitos de educação como a obra do clássico “The meaning of Adult Education” (1926) – traduzindo: O Significado da Educação para Adultos – do educador Eduard C. Lindeman, no que se aplica às teorias da educação.
Segundo Ricardo Balestreri (1998) a instrução deve atender aos aspectos de legalidade (conceitos, doutrina e leis), técnica (procedimentos e métodos) e ético (valores, crenças e atitudes) e quanto ao desenvolvimento de competências, se busca os conhecimentos, as habilidades e as atitudes.
Tendo em vista a educação Andragógica em face da Instrução Policial, entendo que nós, profissionais de segurança pública precisamos nos preparar para assumirmos capacitações e competências utilizando-se de inovações no treinamento eficiente e eficaz, capaz de quebrar paradigmas e superar obstáculos de diversas naturezas com o fito de absorver diferentes tecnologias e novas modalidades de desenvolvimento peculiares às atividades de segurança pública.
Para Paulo Freire, (Pedagogia da Autonomia/1996): “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”.
Transportando esse ensinamento para a instrução policial, entendo que dado à complexidade de situações e agravado pela necessidade de tomadas de decisões imediatas a que o profissional de segurança é submetido, e tudo isso sob o efeito do estresse exige uma capacitação abrangente para que esteja apto a bem gerenciar tais conflitos. Isso nos remete a importância de oferecer ao profissional de segurança, o treinamento e as ferramentas que aproxime de cenários reais em que atua.
Lembrando o mestre, Cel Nilson Giraldi: “o que se ouve, se esquece; o que se vê é lembrado; e o que se faz se aprende”.
Portando, a educação andragógia dentro do treinamento policial se completam, pois tratando de profissionais conscientes da complexidade da profissão, acredito que devemos ter alcançado a maturidade quanto, à vontade de aprender, para melhor enfrentar situações reais de alto risco.
Diante desta premissa conclui-se que a instrução excessivamente tradicional e ortodoxa, nem sempre atende as expectativas da nova realidade profissional que vivemos, principalmente quando este é calcado apenas em conteúdos teóricos, enquanto o objetivo maior é atender a instrução tática operacional.
De acordo com Bruner, aprender é desenvolver a capacidade de resolver problemas e pensar sobre uma situação.
Podemos citar, por exemplo, a disponibilidade de cursos a distância gratuitos e de qualidade ofertados aos profissionais de segurança pública pela EAD/SENASP através do site: www.mj.gov.br/ead muito embora trate de ensino à distância e com características essencialmente teóricas, ainda assim, preenche lacunas da capacitação abrindo possibilidades do acesso ao conhecimento com as vantagens de administração do tempo; da socialização do conhecimento; da participação e interação de diversas culturas profissionais em diversos locais em tempo real; do acesso a conteúdos atuais e de qualidade, graças a tecnologia virtual já disponível. Cursos como, por exemplo: de Gerenciamento de crises; uso progressivo da Força; Isolamento de Local de Crime; Técnicas e Táticas não letais; Inspeção veicular entre muitos outros;
Vygotsky, entende que o ser humano se constitui enquanto tal na sua relação com o outro.
Como tornar os treinamentos realísticos de táticas defensivas para o profissional de segurança pública?
A busca pela adequação da doutrina, ferramentas e tecnologia para a aplicação da instrução nas instituições de ensino policial deve ser um objetivo constante. Podemos citar, por exemplo, alguns dos projetos da PMGO (Polícia Militar do Estado de Goiás) em que este autor está imbuído no seu desenvolvimento: a implantação do paintball para a simulação de situações táticas diversas; a criação de ambientes de oficinas imitativas da realidade cidade cenográfica (bar, banco, local de crime e outros), a aprendizagem da administração do estresse; a interação (interdisciplinaridade e transdisciplinaridade) entre as disciplinas operacionais afins. E ainda a implantação de mecanismos de controles e monitoração do processo aplicação operacional, tais como as propostas do TAT (Teste de Aptidão de Tiro) e Avaliação das atividades operacionais padrão (POP); entre outros.
Vale ressaltar que na ausência de doutrina, estrutura e equipamento ideal, a didática da instrução fica prejudicada nos quesitos de qualidade e realismo do treinamento, podendo inclusive não se obter sucesso, gerando com isso, práticas empíricas de instrução pouco eficiente ao ensino da instituição a que se destina.
Os marcadores conhecidos como “PAINTBALL” são simulacros de armas que apresentam anatomia semelhante a de uma arma real, bem como seu peso e dimensões. O diferencial é que possibilita a simulação de confrontos abrindo uma possibilidade para o estudo da postura tática e administração do estresse comum durante o confronto, em especial o uso progressivo da força. Outras ferramentas já existem disponíveis no mercado americano, tais como a utilização do SHOCKNIFE, que nada mais é do que um simulacro de faca com uma bateria inserida no cabo e que dá choques elétricos quando toca uma superfície. O treinamento do profissional de segurança se torna mais realístico, pois o choque produz o pânico do toque da lâmina. E ainda, o estresse característico de treinamentos mais realísticos e inclusive sinaliza os pontos de toque da lâmina. Os BLUE/RED GUNS, que são simulacros perfeitos de armas e carregadores que apresentam a mesma anatomia da arma real, bem como seu peso e dimensões com o objetivo de atender o quesito de segurança por não possuírem mecanismos de tiro; PISTOLAS ELETRIZANTES (TASER), capazes de incapacitar ações agressoras em curta fração de tempo; Linhas de Tiro INDOOR AUTOMATIZADAS; e SIMULADORES DE TIRO VIRTUAL, entre outras.
Acredito que a metodologia de ensino aplicada às instituições de ensino da polícia brasileira ao longo dos anos deu significativos passos rumo a qualificação, sobretudos após a edição da Constituição Federal de 1988. Porém, temos consciência de que ainda há muito por ser feito e o desafio está lançado às atuais e futuras gerações de profissionais conscientes de seus deveres.
Fonte: * TC QOPM Alexandre Flecha Campos: Atualmente é Cmt do Centro de Instrução da PMGO; Instrutor do CGESP na Disciplina de Tiro Policial Defensivo; Técnico do Uso Progressivo da Força no POP (Procedimento Operacional Padrão), Tutor de cursos do SENASP/EAD e Instrutor da Força Nacional. É Bacharel em Administração de Empresa/FACH; Especialista em Docência Universitária FAC/LIONS; Especialista em Direitos Humanos PMGO/UCG/UFG; Especialista em Ensino/PMGO; MBA em Mobilização Nacional/UNIVERSO; Especialista em Gerenciamento em Segurança Pública; Mestrando em Educação/UNIV. CAMBRIDIGE; Curso de Formação de Oficiais/PMGO; Colaborador do SENASP como coordenador nacional do Uso Progressivo da Força; ADESG/GO XVII Ciclo e ESG/2006 entre inúmeros outros cursos de natureza tático operacional.


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