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12 dezembro 2010

População não confia na polícia

População não confia na polícia

Publicação: 12 de Dezembro de 2010 às 00:00
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Andrey Ricardo -De Fato

As forças policiais do Brasil estão   desacreditas pela população em geral. Pesquisa recente mostra que a percepção (totalmente negativa) dos brasileiros com relação a segurança pública é hoje uma das maiores preocupações no país. Segundo o estudo, os brasileiros não confiam na polícia. Serviços básicos como atendimento ao público, investigação e abordagem são bem vistos pela sociedade. A população avalia ainda a polícia como preconceituosa, lenta e ineficiente.

adriano abreuPesquisa Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) foi divulgada no dia 2 deste mês, revela um dado preocupante: a população brasileira não confia na políciaPesquisa Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) foi divulgada no dia 2 deste mês, revela um dado preocupante: a população brasileira não confia na polícia
A pesquisa Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) foi divulgada no dia 2 deste mês. Foram ouvidos moradores de todas as regiões do Brasil. O estudo é feito a partir de perguntas acerca das percepções dos brasileiros. Foram questionados temas como sensação de insegurança, confiança nas instituições policiais e serviços prestados pela polícia. Numa avaliação geral, os resultados são bastante preocupantes. Os índices positivos ocorrem em pouquíssimas situações da pesquisa, como por exemplo, no contato com a polícia. Poucos sofreram ameaças ou agressões físicas.

Uma das avaliações do Ipea foi com relação à confiança da população nas forças policiais. Nesta avaliação estão inseridas as polícias Militar, Civil, Federal e a Guarda Municipal - esse último só para as cidades que têm essas instituições. Das quatro, a Polícia Militar e a Guarda Municipal tiveram a pior avaliação. Mais de 70% dos brasileiros dizem que não confiam ou confiam pouco. A Polícia Civil, por exemplo, tem 69,9% de avaliação negativa. A Polícia Federal é a mais acreditada das forças policiais brasileiras, porém os índices ainda são preocupantes. 51,1% vêm a Federal negativamente.

Nessa mesma temática, o estudo avaliou itens específicos, como por exemplo, a maneira como a polícia atende as ocorrências pelo telefone. Mais de 60% dos brasileiros dizem que esse serviço é lento. Sobre a eficiência no registro das denúncias, 51,8% a consideram ineficiente. Acerca das da investigação, quase 70% dizem que ela é lenta e não atinge o resultado esperado. 66,5% avaliam as forças policiais como desrespeitosas e 55,8 julgam-na incompetente. Um dos dados mais preocupantes é a questão do preconceito da polícia. Quase 75% falam preconceito na polícia. Apesar do péssimo desempenho em praticamente todos os quesitos da pesquisa, os policiais brasileiros saíram-se relativamente bem na avaliação dos serviços prestados – essa parte direcionada apenas para quem já teve algum contato com a polícia. Mais de 43% dos entrevistados avaliam como ótimo ou bom o serviço prestado, contra 27,1% que disseram ter recebido atendimento ruim ou péssimo. Cerca de 30% votaram “regular”. Já com relação aos problemas ocorridos durante esse contato, a maioria (mais de 90%) não sofreu ameaças, agressão verbal e física e nem extorsão.

utilidade pública

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) atua como importante agente no cenário das políticas públicas. O Instituto assume o compromisso de articular e disseminar estudos e pesquisas, dentre várias outras atribuições. Esta pesquisa configura um sistema de indicadores sociais para verificação de como a população avalia os serviços de utilidade pública e o grau de importância deles para a sociedade. Logo, permitirá ao Estado atuar de maneira mais eficaz e em pontos específicos da complexa cultura e demanda dos brasileiros.

Entrevistados têm medo de assaltos

O engenheiro elétrico Talles Fernandes e a universitária Suênia Monte talvez nem se conheçam. Ambos são de Mossoró e têm praticamente os mesmos receios quando o assunto é falta de segurança. Os dois, assim como a maioria dos brasileiros que foram entrevistados na pesquisa Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), não se sentem seguros. A maior parte acredita ser vulnerável a crimes de homicídio, assalto à mão armada, arrombamento e agressão física – são os quatro itens avaliados nessa pesquisa.

Para Talles e Suênia, ambos estão mais suscetíveis a sofrerem assalto à mão armada, que na pesquisa aparece como o segundo maior medo dos brasileiros. Os entrevistados pelo Ipea disseram ter mais medo de serem assassinados.

78,6% dos participantes da pesquisa disseram ter muito medo de serem assassinados. Somando-se àqueles que disseram ter pouco medo desse tipo de ação criminosa, chegamos a uma média de nove em cada dez brasileiros temerosos.

O assalto à mão armada é a segunda maior preocupação dos brasileiros quando o assunto é falta de segurança. “É muito fácil ficar impune em uma situação dessas. Qualquer um pode lhe agredir, roubar ou até mesmo matar. E em pouco tempo esta pessoa fica livre para cometer novos crimes”, diz o engenheiro civil.

Suênia afirma que o medo da violência faz com que ela, assim como muitos brasileiros mudem até mesmo seus hábitos. Em cidades do interior, como Mossoró, é comum encontrar pessoas sentadas às calçadas, principalmente à noite. Mas esse hábito está sendo praticamente extinto.

“A violência chegou a um ponto que a gente nem senta mais na calçada porque não tem coragem”, afirma Suênia. Mais de 90% dos brasileiros entrevistados disseram ter medo (muito ou pouco) de serem vítimas de um assalto à mão armada. Apenas 9,6% disseram não ter medo algum.

Para o engenheiro Talles Fernandes, sair às ruas diariamente é sempre uma situação de risco. “Não me sinto e não ando. Evito andar sozinho pelas ruas em qualquer horário. Sempre saio de carro. E caso necessite sair na rua, saio sem nenhum item que chame atenção de meliantes além de tentar andar sempre acompanhado”, destaca o engenheiro.

Suênia lembra que o fato de ser mulher a torna ainda mais vulnerável à violência.  

saiba mais

1- Os entrevistados responderam cinco baterias de perguntas. Em primeiro lugar, expressaram o grau de medo em relação a serem vítimas dos seguintes eventos: assassinato, assalto à mão armada, arrombamento da residência e agressão física.

2- Em segundo lugar, responderam sobre seu grau de confiança nas instituições policiais e também nas guardas municipais. Em terceiro, avaliaram vários itens ligados às polícias e seus serviços.

3- Por fim, com perguntas direcionadas apenas aos entrevistados que já passaram pela experiência de um contato com a polícia, foi feita uma avaliação dos serviços prestados foram coletadas informações sobre possíveis problemas ocorridos na interação com os agentes policiais.

4- As entrevistas são realizadas com pessoas físicas nas residências, de modo a obter as informações diretamente das famílias, segundo seu local de moradia

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