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25 agosto 2011

Oficiais de Justiça acompanhados de policiais militares estão retirando os 'invasores'; grupo diz não ter para onde ir

  Gazetaweb - Katherine Coutinho e Wanessa Oliveira
Após os 10 dias de ‘tolerância’ fornecidos pela Justiça, os invasores do Conjunto Cidade Sorriso 2 que não deixaram o locala até ontem estão sendo removidos, nesta quarta-feira (24). A operação integrada envolve 47 oficiais de Justiça, que contam com reforços da Guarda Municipal, da Polícia Militar e da Prefeitura. A alternativa encontrada por alguns invasores é montar barracas de lona em áreas verdes da região. 

De acordo com o prefeito comunitário do complexo Benedito Bentes, Silvânio Barbosa, os moradores estão revoltados, mas também sentem-se resignados diante da força policial. Além do Centro de Gerenciamento de Crises (CGC), há homens do BOPE e da Cavalaria. De acordo com o major Givaldo, do CGC, cerca de 120 homens participaram da ação. “A ideia é que, havendo um contingente grande de policiais, os ocupantes não apresentem resistência, e assim não haja confronto”. 

Proprietária ‘por direito’ de uma das casas, a dona de casa Rita de Cássia 38, relatou ter presenciado vendas e negociações das residências. “Muitos moradores, que receberam as casas porque disseram que não tinham condições de morar em outro lugar, se mudaram, venderam ou fizeram troca por outra coisa”, explica. 

Com os móveis do lado de fora, o trabalhador rural Benedito José da Silva, 35, conta que não tem para onde ir, após ter invadido a casa há um ano e dois meses. “Eu crio, sozinho, oito crianças aqui. São cinco sobrinhos órfãos e três filhos meus”, relata. “Para onde vou com essas crianças?”.

De acordo com o agricultor, uma assistente social chegou a oferecê-lo uma vaga em um albuergue, com uma condição: que ele deixasse as crianças em uma casa de passagem. “Mas eu não quereo, nem vou me separar dessas crianças, que crio há 10 anos. Não vou abrir mão dos meus filhos”, conta. 

Já a pensionista Iracema de Godoy Pereira teve uma outra alternativa. “Se não fosse a igreja evangélica em que congrego, não teria para onde ir”, conta. Iracema Godoy ficará abrigada na instituição com o neto, até aparecer algum lugar novo. Entretanto, não há um prazo para que novas casas sejam construídas para os novos desabrigados. 

De acordo com a gerente social da Secretaria de Habitação do Município, Suzana Lobo, um projeto deve ser apresentado para que um novo conjunto seja construído, mas não previsão sequer da estruturação do projeto.

“A secretaria já cadastrou os moradores. Os que não se cadastraram hoje, porque foram embora ainda ontem, receberam fichas e devem seguir até a Secretaria com essas fichas para que o cadastro seja feito”, explica. Segundo o CGC, a ação deve continuar até essa quinta-feira (25) e vários caminhões foram disponibilizados para retirar os móveis dos ocupantes.

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