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09 agosto 2009

GRIPE ESPANHOLA, A (2)




O Jornal da Cidade, de Aracaju, capital sergipana, publicou no dia 10 de setembro de 2007, matéria com este mesmo título, assinada pelo jornalista Mario de Morais, abordando assunto relacionado com a descoberta do vírus de uma pandemia que no período de 1918 a 1920 matou mais de vinte milhões de pessoas no mundo inteiro. O texto em questão dizia o seguinte:

Em 1997 infectologistas dos Estados Unidos descobriram, finalmente, o vírus responsável pela gripe espanhola, que matou 21 milhões de pessoas. Na época, a epidemia foi chamada de influenza (hoje em dia nome dado a uma simples gripe). Mesmo os mais idosos só sabem do fato de ouvir dizer. Seus avós contavam que se trancavam em casa, temerosos de pegar a mortal moléstia. E através do vidro das janelas viam passar filas de caminhões cheios de cadáveres amontoados em direção aos cemitérios. Não havia tempo para chorar seus mortos. Eles eram reunidos e jogados em vala comum. Alguns coveiros chegavam a abandonar o trabalho, temerosos do contágio. Os médicos negavam-se a ir à casa dos clientes que haviam sido contaminados pela terrível moléstia. O pavor era geral!

Em 1918, quando a Europa ainda chorava os seus milhões de mortos vítimas da Primeira Guerra Mundial, os primeiros casos da desconhecida enfermidade surgiam na Espanha. Em números gerais, o conflito que durou seis anos matou 50 milhões de pessoas, entre militares e civis. Os sintomas da misteriosa gripe eram idênticos a uma pneumonia muito contagiosa, e o vírus se propagava pelo ar. Não existiam os antibióticos, e quem pegava a doença dificilmente conseguia sobreviver. Segundo se soube, o vírus espalhou-se pelo mundo através dos navios de cargas e de passageiros espanhóis. Daí o nome da gripe.

Em 1920, tal como surgiu, a gripe espanhola desapareceu. A partir daí os mais competentes virologistas passaram a trabalhar intensamente em seus laboratórios na tentativa de descobrir o que causara a pandemia. Os recursos, porém, eram escassos. Não existiam os microscópios, capazes de localizar o vírus - até então os menores seres da biologia terrestre -, nem enfermos que pudessem fornecer os germes causadores da enfermidade.

Somente em 1997 a causa da gripe foi descoberta e anunciada pelos médicos do Instituto de Patologia das Forças Armadas americanas. Especialistas, então com maiores recursos, liderados pelo dr. Jeffery Taubenberger, estudaram as vísceras preservadas em formol de 43 mil soldados mortos pela gripe espanhola e autopsiados em 1918. Nos pulmões de um deles os virologistas encontraram 30 espécimes do mortal vírus. Ele foi isolado e estudado seu material genético. E descobriram, assombrados, que ele era bem semelhante ao vírus da gripe suína, que não ataca os humanos. Apesar disso os pesquisadores concluíram que, de todas as gripes, as suínas são as mais contagiosas. O que ficou comprovado com as epidemias na Ásia, em 1957, e em Hong Kong, em 1968, transmitidas por porcos.

Os Estados Unidos foram invadidos pelo vírus da gripe espanhola em 1918, trazido por soldados que regressavam da Primeira Guerra Mundial. Um em cada quatro americanos adoeceu, causando a morte de 675 mil deles. Os que se salvaram, criaram anticorpos e ficaram imunes à moléstia.

Em nosso país, só no Rio de Janeiro e São Paulo morreram 20 mil enfermos em apenas dois meses. Entre eles, o presidente Rodrigues Alves (1832-1919). Em 1918 ele fora eleito para um segundo mandato, mas não chegou a tomar posse. O primeiro mandato fora de 1902 a 1906. E a vida, mais uma vez, mostrou-se irônica, já que Rodrigues Alves instituíra a vacina obrigatória contra a varíola, numa polêmica campanha comandada por Osvaldo Cruz, que enfrentou a Revolta da Vacina em 1906.

Na verdade, nunca se soube ao certo quantos brasileiros foram vitimados pela gripe espanhola, mas quando ela sumiu misteriosamente, os mais conceituados virologistas vaticinaram que mais cedo ou mais tarde uma pandemia semelhante atacaria o nosso planeta. "Só não sabemos quando. Se daqui a um ano, ou a um século..."

Queira Deus que eles tenham errado.


FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

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Publicado em 18/06/2008 às 15h01

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